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A primeira orientação é escolher a motocicleta adequada, com características que se ajustem ao meio, evitando danos ao equipamento. É fundamental um modelo, por exemplo, com suspensão com maior curso e resistência, para absorver impactos, com pára-lamas mais altos, que reduzam a chance de travamento da roda com a lama, e escapamento especial, para impedir a entrada de água na travessia de rios, além de outros itens.
Para esse segmento, a Honda dispõe de um modelo nacional específico no mercado: a XR 250 Tornado. A NXR 150 Bros, líder do setor on-off road, também pode ser usada na prática fora-de-estrada.
Preparação básica e manutenção da motocicleta
Antes de se aventurar por terrenos irregulares, o motociclista precisa fazer um check-up completo no modelo, semelhante ao que deve ser feito antes de pilotar por vias públicas. Por isso, não deixe de inspecionar pneus, parte elétrica, óleo, combustível, corrente, corrente de transmissão, chassi e suspensão. Esses tópicos são fundamentais, uma vez que a prática é quase sempre realizada em locais onde nem sempre há socorro mecânico.
A motocicleta deve receber uma preparação básica, que consiste em retirar espelhos retrovisores, evitando choques ou quebra das peças, e diminuir a calibragem dos pneus em até 20% para trilhas com muita lama, que necessitam de maior tração nos pneus.
É recomendável retirar componentes dispensáveis ao longo da pilotagem e que reduzem o peso, evitando desgaste ou quebra de peças, como contagiro, bagageiro, piscas, suporte de garupa, capa da corrente de transmissão e até a tampa do pinhão. Também é importante afrouxar os suportes de freio e embreagem para que girem em caso de queda e evitem a quebra dos manetes. Além disso, a retirada das peças deve ser feita por uma concessionária Honda, pois podem ocorrer problemas caso sejam desligados fios do chicote.
O destaque fica para o tipo de pneu. Ele pode ser substituído pelos de “cravo” –tipo cross -, que asseguram maior tração em terrenos arenosos, com lama ou de pouco atrito (terra). Os instrutores do CETH lembram que a troca só é recomendada para a pilotagem fora-de-estrada.
Outra dica é a manutenção da motocicleta após finalizar a atividade, incluindo lavagem completa para remover toda a lama e lubrificar a corrente de transmissão. Além disso, é necessário fazer a limpeza do filtro de ar, uma vez que o acúmulo de poeira pode interferir no desempenho e na durabilidade do motor.
Equipamentos de proteção
O motociclista precisa estar atento aos equipamentos de segurança. É imprescindível o uso de capacete, com pala e queixeira para proteção do rosto e sem viseira. Óculos de material flexível e que possuam orifícios na armação para ventilação, colete com ombreiras, confeccionado em material plástico de alta resistência, e luvas de material misto (malha e couro) para proporcionar a mobilidade das mãos e dedos também fazem parte da relação de itens para a prática off-road.
Os profissionais do CETH recomendam a utilização correta das botas de couro --com proteções na parte dianteira do cano, no bico e no calcanhar -- e calça em nylon resistente, sempre com proteção nos joelhos e nas coxas, além de camisas de mangas compridas. Faixa abdominal com reforço em plástico para proteção dos órgãos internos e da coluna, joelheiras e cotoveleiras, também de plástico resistente, com revestimento para proteção em caso de queda, e uma bolsa de cintura para o transporte de documentos, água, ferramentas e outros objetos garantem uma pilotagem segura fora-de-estrada.
Postura correta
Não é apenas a preparação da motocicleta ou o uso de equipamentos de segurança que transforma a prática off-road numa atividade segura. A postura do motociclista é crucial para superar terrenos acidentados com segurança.
Para diminuir a sensação de imperfeições do terreno, a orientação é pilotar sempre em pé, sobre as pedaleiras. Isso faz com que o piloto tenha maior equilíbrio, uma vez que braços e joelhos funcionam como amortecedores, diminuindo o impacto das irregularidades do solo e baixando o centro de gravidade. Nesse caso, a coluna deve estar levemente curvada, joelhos flexionados, ombros e braços relaxados, e os pés paralelos ao motor. Caso esteja em pé e queira aumentar a velocidade, o piloto deve deslocar o corpo para trás. Isso diminui consideravelmente o peso da roda dianteira em caso de impacto, facilitando a transposição dos obstáculos.
O motociclista também tem a opção de pilotar sentado, mantendo ombros e coluna relaxados e cotovelos levantados e voltados para fora, a fim de absorver os impactos. Sente próximo ao tanque de combustível para distribuir o peso por igual nas rodas traseira e dianteira. Deixe os pés paralelos e juntos ao motor, utilizando a parte anterior (logo à frente do arco do pé) como suporte nas pedaleiras. Dessa forma o amortecimento de impactos fica reforçado, assim como a proteção.
Escolha e preparação básica da motocicleta, somadas ao uso de equipamentos de segurança adequados, postura e, acima de tudo, consciência do piloto, são indispensáveis para transformar a prática fora-de-estrada em uma atividade segura e prazerosa. |